16 casais lésbicos que fizeram a diferença e transformaram a história

“O afeto entre mulheres é revolucionário”. Você já escutou essa frase?

Em uma sociedade que incita cada vez mais mulheres a competirem entre si, em que o conceito de heterossexualidade compulsória vem ganhando mais espaço para discussão, o romance entre mulheres se torna cada vez mais um ato de resistência. Mas sempre foi assim. Desde a antiguidade, as mulheres que amam mulheres existem e precisam lutar contra diversos preconceitos para poder enfrentar os obstáculos de assumir esse amor. Pensando nisso, o site Autostraddle fez uma lista com casais lésbicos que mudaram a história e transforaram o mundo com suas ações. O critério usado foi “casal poderoso”, considerado o “relacionamento através do qual ambas as mulheres foram capazes de alcançar maior sucesso profissional, artístico ou relacionado ao serviço por causa da sua relação. Eu me inclinei para casais que realmente fizeram coisas juntas – seja iniciando uma escola, hospedando uma boate, criando serviços sociais para pessoas desfavorecidas ou fazendo filmes.” Veja a lista:

1. Rebecca Perot e Pastora Rebecca Cox Jackson (de 1830 a 1871)

Rebecca Cox Jackson teve sua criação fundamentada em uma família Episcopal Metodista Africana, mas decidiu abandonar a igreja para começar sua própria pregação religiosa. Por causa do sucesso dessa empreitada, ela se divorciou do marido e viajou para Pensilvânia e Nova Inglaterra, até chegar em uma comunidade dentro de um grupo criado inteiramente por mulheres Shakers, uma seita religiosa conhecida como Sociedade Unida dos Crentes na Segunda Aparição de Cristo.

Foi lá que Rebbeca Jackson conheceu Rebecca Perot, com quem se juntou em uma nova seita. As duas tinham visões místicas muito parecidas, em um contexto praticamente feminista. Elas fundaram uma nova família de Shakers, combinando tradições de orações negras femininas. Em 1871, Jackson faleceu, e Rebeccar Perot renomeou-se “mãe Rebecca Jackson Jr” e assumiu a família Filadélfia.

2. Sallie Holley e Caroline Putnam (1848 – 1917)

Sallie Holley foi uma professora americana, que conheceu Caroline na Faculdade de Oberlin. As duas se tornaram membros da Sociedade Americana Anti-Escravidão assim que se formaram, e junto com as mulheres abolicionistas da épocas, viajaram pelos Estados Unidos para convencer a sociedade dos abusos da escravidão, junto com a lendária ativista Sojourner Truth.

Depois da Guerra Civil americana, as duas compraram uma casa juntas e criaram a Escola Holley, que se tornou a primeira casa de assentamento dos Estados Unidos. Elas se dedicaram à luta pelos direitos das pessoas negras durante toda a vida.

3. Harriet E. Giles e Sophia B. Packard (1855-1891)

Harriet Giles conheceu Sophia na década de 1850, quando ainda era estudante na Academia Nova Salem, nos Estados Unidos. Sophia era sua orientadora, e na época, as duas seguiram juntas para Atlanta para criar uma escola para mulheres negras que haviam sido libertadas recentemente do regime escravagista.

Sophia foi a primeira presidente da escola batizada de Seminário Batista Feminino de Atlanta, que mais tarde foi renomeado como Faculdade de Spelman.

4. Ellen Gates Starr e Jane Addams (1877-1892)

Ellen Gates conheceu Jane Addams em 1977, no Seminário Feminino Rockford, e com o relacionamento das duas, Jane teve força e confiança para entrar no projeto Hull House, que acontecia em Chicago. Esse projeto era um movimento que tinha o objetivo de proporcionar oportunidades sociais e educacionais para as mulheres trabalhadoras dos Estados Unidos, sendo a maioria imigrantes. A ideia era oferecer aulas de literatura e história, dar palestras livres, auxiliar as crianças das trabalhadoras e hospedar expressões culturais.

 

Além de professoras, as duas foram parteiras, ajudaram vítimas de violência doméstica e também defenderam diversas reformas na legislação que foram vistas mais tarde como as primeiras iniciativas para promover o “bem-estar social”.

5. Edith Anna Somerville e Violet Florence Martin (1887-1915)

Edith Anna foi uma romancista irlandesa que escreveu quatorze histórias e romances com sua namorada, Violet, que se utilizava do pseudônimo “Martin Ross”. Os textos mais conhecidos delas foram The Real Charlotte e The Experiences of Irish R.M.

Quando Violet morreu, Edith ficou inconsolável e resolveu dar continuidade às histórias, escrevendo livros com o nome das duas, e se convenceu de que elas estariam se comunicando por sessões espiritistas.

6. Ethel Mars e Maud Hunt Squire (1894-1954)

Ethel e Maud foram duas artistas americanas que se conheceram na Cincinnati Art Academy na década de 1890. Elas ficaram juntas por 60 anos, vivendo parte na França, parte nos Estados Unidos. Maud ficou conhecida por causa de suas ilustrações e gravuras coloridas, enquanto Ethel fez sucesso como pintora de gravuras e desenhos em madeira. Juntas, elas colaboraram em projetos como a ilustração do livro infantil O Jardim de Versos da Criança.

7. Mabel Reed e Mary Ellicott Arnold (1894-1963)

Mabel e Mary se conheceram ainda crianças em Nova Jersey, se apaixonaram mais tarde e viveram juntas por quase 69 anos. Juntas, as duas se tornaram organizadoras urbanas, ativistas e filantropas. Elas colaboraram com o projeto City and Suburban Homes Company, que ajudou a criar soluções habitacionais para trabalhadores pobres.

Polemizaram a sociedade na época e se tornaram conhecidas por incluir as mulheres em todas as decisões de moradia, além de não se preocuparem com as críticas por seu comportamento considerado “fora do padrão”.

8. Fannie Johnston e Mattie Edwards Hewitt (1901-1917)

Fannie e Mattie eram fotógrafas e se conheceram na Exposição Pan-Americana de 1901, em Nova Iorque. Fannie se tornou reconhecida em sua área como uma das fotógrafas mais bem-sucedidas da América. Já Mattie trabalhava como assistente de seu marido, que também era fotógrafo, do qual pediu divórcio em 1909.

Depois de oito anos de romance, as duas partiram para Nova Iorque, onde abriram um estúdio de fotografia arquitetônica. As duas ficaram encarregadas de fotografar lugares como a Catedral de São João, o Divino e o Hotel Manhattan. Em 1917, se separaram após uma briga.

9. Gertrude Stein e Alice Toklas (1907-1946)

Gertrude foi uma romancista, dramaturga e poeta não-convencional, que também colecionava arte modernista. Ela conheceu Alice no dia em que esta chegou a Paris. Ela se tornou sua “confidente, amante, cozinheira, secretária, musa, editora, crítica e organizadora geral”. Getrude conta em seus romances que se apaixonou por Alice à primeira vista.

Em 1910, as duas abriram um salão em sua casa, na rue de Fleurus, que hoje é reconhecido como um dos mais influentes pontos de encontro da história das artes e literatura, chegando a receber convidados como Pablo Picasso, Ernest Hemmingway, James Joyce e as artistas Ethel Marte e Maud Hunt-Squire. Elas ficaram juntas até a morte de Gertrude, em 1946.

10. Frances Witherspoon e Tracy D. Mygatt (1908-1973)

Frances e Tracy se formaram juntas em Literatura e também juntas, se comprometeram a lutar pela paz mundial, o direito das mulheres e os direitos civis. Durante a Primeira Guerra Mundial, Tracy organizou a Liga Anti-Alistamento e Frances criou a primeira organização americana a apoiar os direitos das pessoas que estavam sendo perseguidas pela liberdade de expressão, batizado de Bureau of Legal Advice.

Em 1913, as duas se juntaram ao Partido Socialista em Nova York, e ajudaram a criar abrigos e programas de distribuição de alimentos em igrejas para as pessoas sem-teto. Ficaram juntas por 65 anos.

11. Ethel Collins Dunham e Martha May Eliot (1910-1969)

Martha era uma jovem que não queria se casar, e pertencia à classe alta estadunidense da época. Na faculdade de medicina, conheceu Ethel, e ao se formarem médicas na Universidade Johns Hopkins, passaram a atuar no movimento sufragista do local. A carreira de Martha começou depois de assumir um estudo de raquitismo entre crianças de baixa renda, e ela logo se tornou diretora do Departamento de Higiene Infantil do Children’s Bureau. Já Ethel se tornou uma das primeiras professoras mulheres da Faculdade de Medicina de Yale.

Na década de 1945, o Presidente Truman nomeou Martha chefe do Hospital, e Ethel se tornou a primeira mulher a fazer parte da Sociedade Americana de Pediatria.

12. Ethel Williams e Ethel Waters (1910-1920)

Ethel Williams era uma dançarina e Ethel Waters uma famosa cantora de blues. As duas se conheceram durante uma apresentação no Teatro Alhambra, no Harlem, e logo se apaixonaram. Ethel Waters conseguiu que as duas trabalhassem no mesmo cabaré, até que passaram a morar juntas. Waters também levou Williams para ser dançarina de seu show em sua primeira turnê nacional.

Na época, o produtor de Waters na gravadora criou fofocas sobre a cantora, inventando que um contrato definia que ela não poderia se casar, para tentar justificar a falta de um parceiro homem acompanhando a cantora.

 

 

13. Florence Yoch and Lucile Council (1921-1964)

Lucile iniciou sua carreira como aprendiz de Florence em uma empresa de arquitetura paisagística, e logo se tornou sua parceira. Elas chegaram a projetar casas, parques, cenários de filmes e jardins botânicos. Juntas, o casal Florence e Lucile foram consideradas “duas das melhores designers de jardins e arquitetas paisagísticas da Califórnia”.

O livro Landscaping the American dream: the gardens and film sets of Florence Yoch, mostra o trabalho em conjunto das duas paisagistas.

14. Dorothy Arzner e Marion Morgan (1927-1971)

Dorothy foi considerada a única mulher diretora de cinema a se tornar bem-sucedida durante a época de ouro de Hollywood. Ela conheceu Marion no set de filmagem de Fashions for Women (1927), já que ela era dançarina e coreógrafa, chegando a conduzir sua própria trupe. As duas trabalharam juntas em vários filmes e até tiveram o jardim da casa projetada por Florence Yoth. O casal viveu junto por 40 anos.

 

15. Mabel Hampton e Lilian Foster, 1932-1978

Mabel Hampton era dançarina de grandes estrelas, e Glandys Bently vivia abertamente como uma mulher lésbica na década de 1930. As duas se conheceram em 1932 e passaram a morar juntas, denominando uma a outra como “marido e mulher”. Elas também eram ativistas dos direitos homossexuais, chegaram a dirigir juntas uma empresa de lavanderia e trabalharam em conjunto para coletar e organizar documentos, jornais, livros e fotografias que relembravam a história lésbica.

A amiga do casal, Joan Nestle, fundou o Lesbian Herstory Archives em 1974, e Mabel se tornou membra-fundadora doando toda sua coleção de materiais como recursos para a comunidade LGBT.

16. Ruth Ellis e Ceciline “Babe” Franklin, 1936 – 1971

Ruth e Ceciline se conheceram em 1936, mudaram-se juntas para Detroit e deram início a empresa Ellis e Franklin Printing, o que tornou Ellis a primeira mulher da cidade a ter o seu próprio negócio de impressão. Em 1946, as duas compraram uma casa que ficou conhecida como “Gay Spot” (“Ponto Gay”), que se tornou um ponto de encontro para a comunidade negra e LGBT da época.

Elas também ajudavam a hospedar moradores homossexuais recém-chegados do sul e ajudaram jovens LGBT que estavam iniciando a faculdade. Em 1999, o lugar se tornou um refpugio para a comunidade LGBT desabrigada, conhecida como centro de Ruth Ellis.

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Thamires Motta
Jornalista introvertida. Sapatona convicta. Vezenquando poeta, fotógrafa e tudo aquilo que a vida me permitir ser. Meio insegura, meio corajosa. No fundo, no fundo, só muito ansiosa para mudar o mundo.