6 motivos que mostram a importância de que LGBTs participem da GREVE GERAL de 28/04

Garantida pela Constituição Federal por meio do artigo 9º e a Lei nº 7.783/89, o direito de greve é assegurado a todo trabalhador,  “competindo-lhe a oportunidade de exercê-lo sobre os interesses que devam por meio dele defender”. Ou seja, a ação da greve é legítima, inclusive com a suspensão coletiva temporária, total ou parcial da prestação de serviços. Convocada por diversas centrais sindicais, grupos de trabalhadores, coletivos de defesa dos Direitos Humanos e prestadores de serviços públicos e privados, a Greve Geral do dia 28 de Abril promete ser um dia histórico de luta contra o pacote de reformas trabalhistas e reforma da previdência proposta pelo governo Temer. Tais propostas atacarão diretamente os direitos dos trabalhadores, tornando algumas leis (como a da CLT) mais flexíveis, e abrindo precedente para que empresários tenham mais lucro enquanto funcionários tem seus direitos precarizados e suprimidos.

mulheres ecoando grito pela greve geral
Ilustração: Sophia Andreazza

Veja 6 motivos que mostram a importância de que LGBTs integrem a #GREVEGERAL

1. Lutar contra a marginalização

Se torna cada vez mais importante e necessário que as pessoas LGBT compreendam seu papel significativo na luta contra o desmonte de direitos no país. Isso porque LGBTs, sobretudo mulheres lésbicas masculinizadas, homens gays com performance de gênero mais feminina e pessoas transexuais são constantemente jogadas para a marginalização por não se adequarem aos padrões sociais de gênero que são impostos. Para essas pessoas, a dificuldade de conseguir um emprego é recorrente, e quando acontece, geralmente são absorvidos por empresas conhecidas por não terem uma preocupação real com o bem estar do trabalhador, por promover jornadas de trabalho longas e exaustivas, com relatos de assédio moral, como empresas de telemarketing.

2. A reforma nos afetará em dobro

Nesse lado mais fraco da corda, a possibilidade de pessoas LGBT sofrerem o dobro com as reformas trabalhistas é imensa. Mudanças como definição das férias pela empresa, possibilidade de ser demitido e depois readmitido com salário menor e grávidas trabalhando em lugares insalubres são algumas das propostas da nova reforma. Essas definições, prejudiciais a todo trabalhador, serão ainda mais perigosas para LGBTs, que já precisam enfrentar diariamente o preconceito a discriminação de gênero, raça e sexualidade.

3. Já reparou como pessoas LGBT, mulheres e negras são os principais ocupantes de cargos precarizados?

De acordo com Dayana Gusmão, que publicou o artigo “A inserção subalternizada dos Homossexuais no Mercado de Trabalho de Telemarketing no Município do Rio de Janeiro“, 70% dos operadores de telemarketing são mulheres. “Os salários desta categoria são muito baixos, alta rotatividade nas empresas, já que o tempo de “vida útil “ dos info-trabalhadores é de dezesseis meses, há um extremo controle da vida dos trabalhadores, contudo, dado o enorme exército industrial de reserva do país não falta mão de obra a este setor. Há uma grande massa de trabalhadores extremamente precarizada como o grupo homossexual, que protagoniza a ocupação das vagas neste setor. São vagas com um processo de trabalho precarizado para trabalhadores precarizados e subalternizados por esta sociedade excludente”, diz.

4. Mão de obra mais barata

O motivo dessa maioria ser composta por mulheres e LGBTs esbarra no fato de que mulheres são a mão de obra mais barata dentro do sistema capitalista. Por causa dos preconceitos de gênero, mesmo com mais anos de estudo do que os homens e ocupando o mesmo cargo, em cargos operacionais a diferença entre os salários chega a 58%, e para especialista graduado é de 51,4%. Empresas terceirizadas, de call center e de limpeza historicamente absorvem a mão de obra de mulheres negras e pessoas LGBTs, sendo locais que oferecem menores salários e menos garantia de vínculo empregatício, como os direitos consolidados na CLT, que estão sob a mira do governo Temer.

5. LGBTs são parte importante da Greve Geral

Para lutar contra a marginalização, é muito importante que as pessoas lésbicas, bissexuais, gays e transexuais se organizem contra as reformas trabalhistas e a favor da Greve Geral, que pretende chamar a atenção para as imensas dificuldades que os trabalhadores vão enfrentar se esse pacote de reformas for continuamente aprovado. De acordo com a Frente Alternativa Preta, em entrevista ao site Alma Preta, “essas medidas são genocidas pois dão continuidade ao processo de morte da juventude negra e pobre brasileira, afetando diretamente os negros brasileiros, maioria nas periferias e nas classes despossuídas”. Tal como as pessoas negras, LGBTs são parte da categoria que mais será afetada por essas mudanças. 

Foto: Thamires Motta

6. LGBTs já são menos contratados do que heterossexuais

Como se não bastasse esse enfrentamento, uma pesquisa da empresa de recrutamento Elancers mostrou que 20% das empresas que atuam no Brasil se recusam a contratar homossexuais, de acordo com a Carta Capital. “Muitas companhias preferem rejeitar um candidato gay por temer que sua imagem seja associada a ele”, afirmam.

 

Para lutar contra a precarização, marginalização e consequente perda dos direitos trabalhistas, é preciso reforçar o coro da Greve Geral e divulgar para os conhecidos LGBTs a sua importância nesse movimento. Historicamente, somos um grupo que nunca se calou diante da opressão e da discriminação, e dessa vez, nosso movimento é essencial para garantir que todos tenham seus direitos trabalhistas assegurados.

Foto: Thamires Motta

#GreveGeral

Thamires Motta
Jornalista introvertida. Sapatona convicta. Vezenquando poeta, fotógrafa e tudo aquilo que a vida me permitir ser. Meio insegura, meio corajosa. No fundo, no fundo, só muito ansiosa para mudar o mundo.