Documentário #EuSouAPróxima expõe violência contra lésbicas, negras e periféricas

A Coletiva Luana Barbosa, que faz alusão à luta por justiça após a morte de Luana Barbosa dos Reis, que foi assassinada por Policiais Militares no ano passado, exibe um documentário criado pelas organizadoras para relembrar a necessidade de lutar contra o racismo e a lesbofobia. 

Foto: Thamires Motta

Chamado #EuSouAPróxima, o documentário mostra nove casos de morte, contados pelas mulheres que participam da Coletiva, como se elas fossem as próprias vítimas assassinadas por lesbofobia.

“Queríamos chamar a atenção das pessoas para essas mortes. Talvez evitar assim o duplo erro que é invisibilizar em vida e esquecer em morte uma existência como a de Luana. Pretendemos também relembrar a impunidade em relação ao assassinato de Luana. Há um ano ela morreu após ter sido espancada por policiais do 51º batalhão da cidade de Ribeirão Preto”, contou Juliana Gonçalves em entrevista à revista Trip. 

Foto: Thamires Motta

“#EuSouAPróxima é uma resposta ao que fizeram com ela. Um grito por justiça para que nenhuma lésbica seja mesmo a próxima. A Justiça Militar do Estado de São Paulo (JMSP) arquivou o caso de Luana. Aparentemente, isquemia cerebral e traumatismo craniano em decorrência de espancamento não são provas suficientes da violência que ela sofreu”, escreveu a autora.

Relembre o caso

Luana Barbosa dos Reis foi agredida depois de negar ser revistada por Policiais Militares do sexo masculino durante uma abordagem agressiva da PM. Por lei, ela tem direito de solicitar a revista por mulheres. Diante da recusa, Luana foi brutalmente agredida e faleceu dias depois, em decorrência de uma isquemia cerebral. “Negra, lésbica e periférica, ela não passou impune à violência do estado refletida nas ações da Polícia Militar”, conta Juliana.

As organizadoras também usam o documentário para denunciar a falta de políticas públicas para mulheres, denunciando a invisibilidade lésbica e as violências que mulheres negras e periféricas sofrem.

 

#EuSouAPróxima nasce de uma necessidade. Queremos ser vistas e reconhecidas como cidadãs, queremos nossos direitos preservados. Queremos, antes de tudo, viver.

Foto: Thamires Motta

Lançamento de Eu Sou A Próxima, quinta-Feira, 13 de abril, às 19h na Ação Educativa – Rua Gen. Jardim, 660 – Vila Buarque, São Paulo – SP

 

Thamires Motta
Jornalista introvertida. Sapatona convicta. Vezenquando poeta, fotógrafa e tudo aquilo que a vida me permitir ser. Meio insegura, meio corajosa. No fundo, no fundo, só muito ansiosa para mudar o mundo.